quinta-feira, 24 de maio de 2012



O Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA/CNPq/UFPA) convida professore(a)s, aluno(a)s, pesquisadore(a)s interessados nos diálogos interculturais e interdisciplinares a inscreverem trabalhados para os GTs abaixo apresentados:

GT 01- TÍTULO DO GRUPO DE TRABALHO: Abordagens interdisciplinares em narrativas e histórias
EIXO TEMÁTICO: Estudos culturais nas Amazônias
COORDENADOR 1: Agenor Sarraf Pacheco (GECA/CNPq/UFPA)
COORDENADOR 2: Mário Médice Costa Barbosa (GECA/CNPq/IFPA)
EMENTA:
Os Estudos Culturais tornaram-se campo teórico interdisciplinar em 1964, na Universidade de Birmingham, Londres. Um grupo de intelectuais atuante ou simpatizante do Partido Comunista Britânico (PCB), desencantado com a direção política que o partido dava às questões diplomáticas, em tempos de Guerra Fria, e a maneira como a teoria marxista explicava a realidade social, depois da invasão da Hungria pela URSS em 1956, saíram em derrocada e fundaram a Nova Esquerda. Raymond Williams, Richard Hoggart e Stuart Hall, pais fundadores do Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) preocuparam-se em problematizar e apreender “as relações entre a cultura contemporânea e sociedade, isto é, suas formas culturais, instituições e práticas culturais” (ESCOSTEGUY, 2006, p. 138).
A partir daí, caminhando em diferentes e convergentes direções, questionando as temáticas tradicionais, incentivaram seus alunos a investigarem o cotidiano de vida e luta da classe trabalhadora, a cultura popular, a arte e a literatura popular, a expansão dos meios de comunicação, o racismo e as políticas raciais e as questões de gênero. Tomando por base essa trajetória e refletindo sobre o mundo amazônico em diferentes territórios e tempos históricos, a proposta do GT é agregar estudantes e professores de graduação e pós-graduação interessados em investigar a realidade social amazônica pelo ângulo da cultura. Entende-se cultura na perspectiva dos CCCS como “uma forma completa de vida, material, intelectual, espiritual” (WILLIAMS, 1976, p. 16), “incluindo o comportamento simbólico” (NELSON et al., 1995, p. 14) e os sentidos e significados que as pessoas de florestas e cidades dão às suas experiências sociais (PACHECO, 2006).
É preciso não olvidar que historicamente populações amazônidas têm sido alijadas dos grandes programas de inclusão socioeconômicos, científicos e culturais, pois somente nas duas últimas décadas, as pesquisas acadêmicas voltaram seus interesses para experiências vividas por segmentos socialmente marginalizados, principais patrimônios da região. Tradicionalmente esses grupos foram vistos como desprovidos de “cultura”. De um modo geral, pessoas de camadas pobres, oriundas das tradições orais, rurais, foram interpretadas pelo olhar colonizador e eurocentrado (ANTONACCI, 2011) como pessoas carentes de civilização e relegadas aos subterrâneos do conhecimento acadêmico. Por esses termos, o Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA/CNPq), apresenta o GT, com o objetivo de enfrentar esses imaginários depreciativos sobre povos da floresta, do campo, das águas, das beiras de estradas, de aldeias, de quilombos e mocambos, de periferias urbanas ou de ambiente de margens silenciadas. Propõe-se ainda a enunciar, a partir de suas pesquisas e dos diálogos interdisciplinares, outras histórias, narrativas e memórias da cultura popular, oral, erudita e massiva que se configura na e a partir desta região em suas múltiplas faces. A proposta deste GT visa, portanto, reconfigurar olhares tradicionais sobre os agentes sociais amazônidas para garantir seus direitos nas diretrizes de políticas afirmativas de respeito à diversidade e às diferenças em perspectivas interculturais.

GT 11- TÍTULO DO GRUPO DE TRABALHO: Identidades, saberes e religiosidades amazônicas
EIXO TEMÁTICO: Religiosidades afroindígenas nas Amazônias
COORDENADOR 1: Italva Miranda da Silva (IFAC)
COORDENADOR 2: Jerônimo da S. e Silva (PPGA/GECA/UFPA)
EMENTA:
No interior da floresta amazônica somos apresentados a múltiplos territórios, paisagens terrestres e aquáticas, com inúmeras espécies de árvores, rios, igapós, vida animal e mineral em fecunda profusão, bem como, ambientes mutáveis, anfíbios. Enraizados nesses espaços, emergem sujeitos culturais, imigrantes, povos tradicionais, centenas de nações ameríndias, que, desde tempos imemoriais, plasmas “saberes-fazeres” em regiões da Amazônia brasileira. Somamos a essa realidade cultural, formas dinâmicas e polissêmicas da ocupação negra: há quatro séculos, sujeitos históricos em movimentos diaspóricos, de culturas atávicas e compósitas, oriundas de uma infinidade de Áfricas são mescladas e hibridizadas em processos, encontros e confrontos culturais ainda em pleno devir. O encontro das populações em questão resulta na constituição de uma realidade cosmológica onde entidades espirituais e florestais, seres incorpóreos e deuses ameríndios, têm suas identidades renegociadas e re significadas junto à constelação de orixás, vodus, inkizes, mestres, caboclos, reis, princesas e encantarias que habitam, simultaneamente, atmosfera aérea, terrestre e hídrica. Esses reinos, cidades e dimensões espirituais estão em diálogo perene com o panteão de santos do catolicismo devocional e representações de deuses/deusas cristãos: Pai, Filho, Espírito Santo e Maria [?] subsumidos na diversidade dos cristianismos locais. Assim, o presente GT busca compreender através do diálogo com pesquisadores da história, antropologia, sociologia, comunicação, artes, museologia, literaturas, educação, geografia, ciências da religião, dentre outros, a articulação entre o pensar e os sentidos de êxodos, viagens e exílios dessas potências espirituais enquanto perspectiva teórico-metodológica, no intuito de problematizar a realidade fluida das “zonas de contato” de matrizes afroindígenas em povoados amazônicos, bem como, suas experiências de vida, rituais, sabedorias orais, memórias, imaginários e sociabilidades que fundamentam o representar dos diferentes papéis, sentidos e ambiguidades das identidades em questão.

GT 13- TÍTULO DO GRUPO DE TRABALHO: Estudos culturais e educação: diálogos e desafios
EIXO TEMÁTICO: Os estudos culturais nas Amazônias
COORDENADOR 1: Patrícia Carvalho Redigulo (Fameta/AC)
COORDENADOR 2: Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues (GECA/UFPA)
EMENTA:
O diálogo entre Estudos Culturais e Educação é historicamente interrelacional. A experiência com a educação de jovens e adultos possibilitou a Richard Hoggart, Raymond Williams, E. P. Thompson e Stuart Hall compreenderem que a escrita do conhecimento em humanidades não pode deixar de valorizar os saberes-fazeres dos diferentes grupos sociais que conformam uma sociedade. Williams em balanço sobre o futuro desse campo teórico avalia que os vários desenvolvimentos do Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) em Birmingham, não se deu através dos textos considerados seminais, “mas, na realidade, já no final da década de 1940, com precedentes notáveis na educação de militares durante a guerra, e com alguns precedentes mesmo na década de 1930 (...), os Estudos Culturais eram extremamente ativos na Educação para adultos” (2011, p. 175). Deste modo, a convivência com expectativas, necessidades e visões de mundo de trabalhadores pobres, habitantes de bairros industriais ou periféricos de cidades inglesas como Londres, especialmente como alunos de escolas populares, permitiu a estes intelectuais revisões em suas interpretações sobre o mundo contemporâneo e seus dilemas, bagagem que se traduziu na formatação das ideias mestras que originaram o CCCS. Tomando por base essa aliança histórica entre tais campos do conhecimento, as novas formas de diálogo e os desafios postos pelas diferentes maneiras de abordar a experiência educacional em perspectiva cultural, este GT convida alunos, professores e pesquisadores interessados nesse debate interdisciplinar a apresentarem resultados de pesquisas, investigações em andamento ou iniciais, cujo foco esteja centrado no cotidiano escolar e seus múltiplos sujeitos históricos. Assim, partindo das vivências que costuram o fazer-se da escola e da vida em sociedade, o GT tem interesse em problematizar tensões, relações de poder, hibridações, interculturalidades, trocas culturais, representações e construções identitárias, perdas e ressignificações de saberes-fazeres escolares em diferentes tempos e contextos socioculturais.
Cronograma:
Inscrição ouvintes: 21 de maio a 31 de outubro de 2012
Submissão de resumos para apresentação de comunicações em Gts:
23 de maio a 22 de julho de 2012
Submissão de resumos para apresentação de pôsteres:
21 de maio a 20 de julho de 2012
Publicação dos resumos aprovados:
30 de julho de 2012
Emissão das Cartas de Aceite:
31 de julho a 05 de agosto de 2012
Envio dos artigos completos para publicação nos anais:
15 de setembro de 2012
Realização do evento: 05 a 09 de novembro de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Estudos do GECA- 1º semestre de 2012

PLANEJAMENTO DE ESTUDOS 

Março e Abril

05/03/2012- Cultura e Sociedade - Williams: Jerônimo Silva
19/03/2012- Estrutura de Sentimento e Raymond Williams – Williams e Sarlo: Isabel Rodrigues


02/04/2012- Diferentes, Desiguais e Desconectados – García Canclini – (Introd. e 1º Capítulo): Agenor Sarraf
16/04/2012- Da Diáspora – Hall (Teoria da Recepção - parte 4): Joel Pantoja


Maio e Junho
07/05- Da Diáspora - Hall (Significação, Representação, Ideologia) - Mário Médice.




14/05/2012- Dos Meios às Mediações - Martin-Barbero - Povo e Massa na Cultura- Lizy Marques.
  
 "O local da Cultura" - A outra questão - O esteriótipo, a discriminação e o discurso do colonialismo por Isis Molinari e "Da mímica e do homem - a ambivalência do discurso colonial"-Homi Bhabha por Jaddson Silva.

Planejamento inicial para os estudos do 2º semestre 


Arraiá do Geca- Encerramento das atividades do 1º semestre


 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Evento de História oral- Estudos Culturais- 27 a 30 de março de 2012 na UFPA- Belém.


 CONFERÊNCIA DE ABERTURA
Dra. Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ e CPDOC-FGV)
“Fontes Orais para a História do Tempo Presente”
DIA: 27
Horário: 18:30 às 20:00
Local: Auditório Benedito Nunes



MESAS REDONDAS DIA 28
08:30 às 12:00
1) NATUREZA, CULTURAS, MEMÓRIAS E FONTES ORAIS
Moderadora: Leila Mourão.
Palestrantes: Dr. Eurípedes Funes (UFCE), Dr. Marcos Montysuma (UFSC) e Dra. Temis Gomes Parente (UFT).
Local: Auditório Setorial Básico-I.
2) HISTÓRIA E MEMÓRIA: ESCOLAS, UNIVERSIDADES, PROFESSORES E ESTUDANTES
Moderadora: Stela Pojuci Ferreira de Moraes.
Palestrantes: Dra. Edilza Fontes (FHIS-UFPA), Dra. Franciane Gama Lacerda (FHIS-UFPA), Dra. Maria do Socorro Costa Coelho (Faculdade de Educação-UFPA).
Local: Auditório Setorial Básico-II.
3) CIDADE EM MEMÓRIAS, NARRATIVAS E REPRESENTAÇÕES
Moderadora: Venize Rodrigues.
Palestrantes: Dr. Antonio Clarindo Barbosa de Souza (UFCG-PB), Dr. José Maria da Silva (UNIFAP), Dra. Luciana Carvalho (UFOPA) e Dra. Josebel Akel Fares (UEPA).
Local: Auditório Ateliê de Artes (Instituto de Ciências das Artes-ICA).

MESAS REDONDAS DIA 29
08:30 às 12:00
1) MEMÓRIAS DE MULHERES
Moderadora: Denise Machado Cardoso.
Palestrantes: Dra. Maria Luzia Miranda Álvares (GEPEM/FCS/UFPA), Dra. Benedita Celeste Pinto (UFPA) e Dra. Andrea Silva Domingues (Univas/MG).
Local: Auditório Setorial Básico-I
2) MEMÓRIAS DOS CONFLITOS PELA TERRA NA AMAZÔNIA
Moderador: Fábio Pessôa.
Palestrantes: Ms. Elias Diniz Sacramento (UFPA), Ms. Airton dos Reis Pereira (UEPA) e Ms. Fagno da Silva Soares (IFMA).
Local: Auditório Setorial Básico-II.
3) VOZES DA AMAZÔNIA: REINVENÇÕES DE IDENTIDADES E TERRITORIALIDADES NA DEFESA DOS DIREITOS SÓCIO-AMBIENTAIS
Moderadora e palestrante: Ms. Maria Cristiane Pereira de Souza (IMV).
Palestrantes: Ms. Iremar Antônio Ferreira (Instituto Madeira Vivo (IMV), Ms. Dion Monteiro (Instituto Amazônia Solidária e Sustentável/IAMAS) e Ms. José Guilherme Carvalho da Silva (FASE).
Local: Auditório do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN).

MESAS REDONDAS DIA 30
1) METODOLOGIAS DE PESQUISA, FONTES ORAIS E INTERDISCIPLINARIDADE NA VENEZUELA, COLÔMBIA E AMAZÔNIA BRASILEIRA
Moderadora: Maria Paula Nascimento Araújo.
Palestrantes: Xiomara Pamela Rodríguez Neira (Venezuela), Fábio Castro (Colômbia) e Carla Monteiro de Souza (UFRR-Roraima).
Local: Auditório Setorial Básico-I.
2) RODAS DE CONVERSA: UMA PRÁTICA E REFLEXÃO INTERDISCIPLINAR
Moderador: Pere Petit.
Palestrantes: Edivânia Santos Alves, Jaime Cuéllar Velarde e Nailce dos Santos Ferreira.
Local: Auditório Setorial Básico-II.
3) ARTE, APRENDIZAGEM E ORALIDADE
Moderadora: Telma Saraiva.
Palestrantes: Dr. Celson Gomes (UFPA) e Maria da Graça Jacintho Setton (USP) e Dra. Lia Braga Vieira (UFPA/UEPA).
Local: Auditório Ateliê de Artes (Instituto de Ciências das Artes-ICA).

RODAS DE CONVERSAS
Ativando a Vida, Ativando a História
DIA 27 DE MARÇO DE 14h30 às 17h30
RODA 1: AS DIVERSAS LINGUAGENS DA CULTURA DO BAIRRO DA TERRA FIRME
PROPONENTE: Ponto de Memória da Terra Firme
RESUMO: Esta roda terá como tema a História do Bairro da Terra Firme, contada por senhores do Bairro selecionados pelos jovens participantes do projeto.
RODA 2: RODA DE BATE PAPO CAFÉ COM PUPUNHA
PROPONENTE: MOVA-CI: Movimento de Vanguarda da Cultura de Icoaraci
RESUMO: Esta roda de “bate -papo”, nasceu em 2005 no período da IV MOSTRA de CULTURA-MESTRE CABELUDO. Desde este momento até hoje, aconteceram em seis bairros do Distrito de Icoaraci: Paracuri, Ponta Grossa, Furo do Maguari, Cruzeiro, Vinte e três e Tenoné. Sempre realizadas no “período da pupunha” e com moradores desses diferentes bairros que nos contaram histórias e reviveram um pouco da Icoaraci do passado. Nesta que vai acontecer na UFPA estarmos compartilhando mais um momento da memória viva desses moradores.
RODA 3: MEMÓRIAS DO GOLPE E DA DITADURA MILITAR
PROPONENTES: Jaime Cuéllar Velarde e Marcos Valério Reis
RESUMO: Visa oportunizar o público presente com memórias de sujeitos culturais cujas trajetórias de vida foram atravessadas pelos tempos de exceções, prisões e censuras (1964-85). Os eixos temáticos a serem tratados pelos convidados são: a) O golpe civil-militar, em março de 1964; b) As prisões de amigos, parentes, políticos; c) As notícias de jornais sobre prisões, fatos políticos, Atos Institucionais; d) As táticas de resistências no teatro, música, poesia, etc.; e) As discussões com a família sobre o golpe e a ditadura; f) Os sentimentos de raivas, recalques, remorsos, frustrações, medos, etc.Estarão presentes Dulce Rosa Rocque Bacelar, Alfredo Oliveira, André Costa Nunes, Paulo André Barata, Pedro Galvão e Juracy Siqueira.

PROGRAMAÇÃO MOSTRA DE VÍDEO-DOCUMENTÁRIOS
Oralidades na Amazônia
Sessões:
TARDES: DIAS 27, 28 e 29 SESSÕES PROGRAMADAS: 14 às 18 hs.
MANHÃS: DIAS 28 e 29 SESSÕES A LA CARTE: 09 às 12 hs.
LOCAL: LABORATÓRIO DE HISTÓRIA,
Título 1: MULHERES, MÃES E VIÚVAS DA TERRA: SOBREVIVÊNCIA DA LUTA, ESPERANÇA DE JUSTIÇA (25 minutos. Ano 2009.  Marabá/PA)
Autor: Evandro Medeiros
Sinopse: O documentário “Mulheres, Mães e Viúvas da Terra: Sobrevivência da Luta, Esperança de Justiça”, traz o caso de diferentes mulheres cujas histórias de vida se encontram com as histórias de luta pela terra no Sul e Sudeste do Pará, em meio a dor, lágrima e luta pela sobrevivência, em seus diferentes significados e circunstâncias, após perderam esposos, irmãos e filhos assassinados pelo latifúndio. Trabalhando com relatos de Dona Geraldina e Luzia Canuto [viúva e filha de João Canuto], Dona Joelma [viúva de Dezinho] e Dona Marina [viúva de Zé Pretinho], o documentário é inspirado na obra "Viúvas da Terra - Morte e Impunidade nos Rincões do Brasil
 Título 2: BOM JARDIM: MEMÓRIAS, LUTAS E IDENTIDADE (15 minutos. Ano 2010. Santarém/PA)
Autora: Cláudia Laurido Figueira
Sinopse: O documentário narra a trajetória histórica dos moradores de uma comunidade rural, denominada de Bom Jardim, localizada em Santarém do Pará, que na década de 1990 se auto determinou quilombola no contexto dos encontros das “Raízes Negras” articulados por lideranças do Movimento negro urbano e quilombos do Baixo Amazonas. A filmagem realizada no local, busca valorizar o testemunho de antigos moradores e lideranças  que participaram da articulação do movimento quilombola em Bom Jardim.
O documentário tem no testemunho oral dos moradores a sua principal fonte de pesquisa, objetivando traçar o itinerário da luta quilombola em Bom Jardim e o significado que estes atribuem ao movimento, por isso, valoriza-se as vozes desses sujeitos históricos, suas histórias e suas lutas pela titularização da terra, entendida como “terra de herança”.
 Título 3: MEMÓRIA INSONE (14min. Ano 2007. Castanhal/PA)
Autor: José Victor Neto
Sinopse: O filme trata do cotidiano e das relações de trabalho de um grupo de vigias noturnos, atuante no centro da cidade de Castanhal. Os referidos vigilantes, devido às circunstancias de sua atividade profissional, passam as noites contando estórias uns aos outros, como forma de se manterem acordados durante as madrugadas. A temporalidade invertida entre dia e noite, e o tédio que marca esta segunda, possibilitam a emergência de diversas histórias, dos mais recônditos cantos da memória.
Vencedor do 1º Concurso de Curtas-Metragens da Fundação Cultural do Município de Castanhal – FUNCAST
 Título 4: UM RODO NA BEIRA DO RIO (16 minutos. Ano 2011/2012. Sena Madureira/AC)
Autora: Joana de Oliveira Dias
Sinopse: O vídeo documentário “Um rodo na beira do rio” traduz os intercâmbios vivenciados no mercado municipal às margens do Rio Iaco, no município de Sena Madureira-AC, a partir das memórias e representações de homens, mulheres e crianças que diariamente circulam naquele espaço.As cenas observadas sistematicamente no mercado da cidade e todo seu entorno, como o vai e vem das catraias, o “bate-papo” nos armazéns e nos bares, o ir e vir do batelão com pessoas, cartas e mercadorias, o subir e baixar do rio, os diversos falares, cheiros, sons e silêncios produzidos pelos inúmeros sujeitos sociais no cotidiano deste espaço criam um cenário com personagens, figurinos e enredo próprios.Mais do que isso, essa opção pelo mercado, a beira do rio e suas memórias constitui-se numa escolha política e metodológica ao entender que esse quadro permite tecer relações sobre a história e a cultura das cidades ribeirinhas das Amazônias. Assim, o desvelar dessas lembranças traz à baila significações e sentidos cotidianamente silenciados ou renegados pela história e discurso oficiais.
 Título 5: TODO DIA É DIA DE FEIRA NA TERRA FIRME (15 minutos. Ano 2011. Belém/PA)
Autor: Ponto de Memória do bairro da Terra Firme
Sinopse: São coletadas e exibidas falas de pessoas envolvidas diretamente no cotidiano da feira do bairro da Terra Firme como feirantes, vendedores ambulantes, pequenos comerciantes e consumidores, destacando este espaço como essencial na dinâmica deste lugar.  
Título 6: RITMOS, CORES E ROSTOS DA TERRA FIRME (15 minutos. Ano 2011. Belém/PA)
Autor: Ponto de Memória do bairro da Terra Firme
Sinopse: breve síntese do panorama cultural do bairro da Terra Firme mostrando as atividades, grupos e organizações que lidam com a cultura por meio de diferentes expressões socioculturais
 Título 7: FILHOS DA TERRA (18 minutos. Rio Branco-AC)
Autor: Emilson Ferreira
Sinopse: A diáspora acreana, sobreviventes da seca nordestina, que foram “convertido em seringueiro anônimos nas florestas do Acre” Hardman(2009, p.69); mais uma vez foram  expulsos de terras brasileiras, pelo progresso, que  transformou seringais em fazenda de criação de gado. Buscaram refúgios na floresta  boliviana, lá reconstituíram suas vidas, formaram famílias, continuaram a ser eles mesmos no inferno verde, na terra que os aprisionam, no progresso que continua a os esquecerem, que os privam do direito à saúde, à escola, à cidadania. Agora é  a vez do governo  nacionalista de Evo Morales, que durante  campanha eleitoral, prometeu fazer a reforma agrária, amparado pela constituição boliviana, a  qual  não permite que estrangeiros tenham terra naquele país. Assim, sofrem ameaças de serem expulsas da Bolívia famílias de seringueiros brasileiros, que vivem na faixa de fronteira de 50 km com o Brasil.
 Título 8: MOLDANDO IDENTIDADES ATRAVÉS DA ARGILA (19 minutos. Ano 2010. Icoaraci/PA)
Autora: Telma Saraiva
Sinopse: O documentário Moldando Identidades através da Argila, conta um pouco da história da cerâmica artesanal do bairro do Paracuri em Icoaraci, Distrito de Belém, e aborda um dos principais temores dos artesãos: A falta de aprendizes que ameaça a continuidade desta tradição ceramista.(Projeto contemplado pela Fundação Nacional de Artes-FUNARTE, no Edital Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre as Interfaces dos Conteúdos Artísticos e Culturas Populares)
 Título 9: UBÁ, UM MASSACRE ANUNCIADO (25 minutos. Ano 2006. São Domingos do Araguaia/PA)
Autor: Evandro Medeiros
Sinopse: Vídeo produzido por ocasião do julgamento do fazendeiro mandante do assassinato de trabalhadores rurais no Massacre da Fazenda Ubá, ocorrido no município de São Domingos do Araguaia em 1985. Relata a história do massacre contada 21 anos depois por sobreviventes e testemunhas da violência cometida por pistoleiros no assassinato de Zé Pretinho, lider dos posseiros que ocupavam a Fazenda Ubá. Vídeo utilizado como instrumento de mobilização e sensibilidade da sociedade paraense para atenção com os casos de violência no campo.
 Título 10: BRINCADEIRA DE MESTRE (20 minutos. Ano 2004/2005. Icoaraci/PA)
Autor:Movimento da Vanguarda da Cultura de Icoaraci -MOVA-CI
Sinopse: São mostradas festas e manifestações da cultura de Icoaraci realizadas principalmente no carnaval, na quadra junina e festivais como os do Dia do Folclore e da Mostra de Cultura de Icoaraci. Durante a mostra acontece um grande cortejo que passa pelas ruas do distrito, reunindo boi-bumbá, cordão de pássaro, escola de samba. O documentário mostra também como eles fazem aquela brincadeira.
 Título 11: CABELO SECO NO ENCONTRO DOS RIOS (12 minutos de duração. Ano: 2008. Marabá/PA)
Autora: Joseline S. Barreto Trindade
Sinopse: Em alguns livros de história de Marabá está registrado que quando o comerciante maranhense Francisco Coelho chegou ao pontal (foz do rio Itacaiunas com o Tocantins) próximo ao burgo Itacaiunas, resolveu construir seu barracão que denominou de Marabá, referencia ao poema do escritor, também maranhense, Gonçalves Dias. O barracão definiu os marcos do bairro pioneiro de Marabá, que recebeu o nome de “seu fundador” Francisco Coelho. Mas, ficou, posteriormente, conhecido como Cabelo Seco, denominação que diz respeito entre outras narrativas, “ao cabelo cri, cri das moças que viviam no meretrício”. Em 2007, desenvolvemos no bairro Cabelo Seco, as oficinas do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), que resultou no Fascículo 21 Bairro Cabelo Seco e no documentário “Cabelo Seco no Encontro dos Rios.” Nesse “diálogo de saberes”, ouvimos muitas histórias da cidade de Marabá: o seu surgimento, sua trajetória, as expressões culturais, manifestações religiosas, relações sociais, bem como, a apaixonada relação dos moradores com os rios Itacaiúnas e Tocantins, reflexo da vida cotidiana das lavadeiras; das “mulheres felizes”; dos “soldados da borracha”; dos castanheiros; pescadores; barqueiros; parteiras; curandeiras; crianças. Expressões de desejos, sonhos, diversão e chegadas que iremos conhecer um pouco mais por meio das histórias do bairro.
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
Maria Paula Nascimento Araújo (UFRJ)
“O diálogo da História Oral com a Historiografia Contemporânea”
DIA: 30
Horário: 15:30 às 17:00
Local: Auditório Básico-I
ATO DE ENCERRAMENTO
20:00 hs.
FESTA DE ENCERRAMENTO DO CONGRESSO
Local: Praça do Carmo, Bairro Cidade Velha: Belém

segunda-feira, 5 de março de 2012

1º ANINHO DO GECA




Estudo do livro "Cultura e Sociedade"- Raymond Williams- Exposição: Jerônimo Silva, doutorando em Antropologia.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Evento de História oral- Estudos Culturais- março de 2012 na UFPA- Belém.


A comissão organizadora do "I Congresso Pan-Amazônico e VII Encontro da Região Norte de História Oral - História do Tempo Presente & Oralidades na Amazônia" anuncia os Simpósios Temáticos, confirmados até a presente data, destinados às inscrições de trabalhos dos participantes.
27 até o dia 30 de Março de 2012


ENVIO DE RESUMO ATÉ DIA 07 DE MARÇO
 Fonte: http://aphoral.ufpa.br
SIMPÓSIOS TEMÁTICOS (GTs)

1) MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO: MEMÓRIAS E FONTES ORAIS
Coordenadores:
Ms. Elias Diniz Sacramento (Cametá-UFPA), edsacramento5@yahoo.com.br
Ms. Airton dos Reis (UEPA), Pereira airtonper@yahoo.com.br
Fábio Pessôa (Seduc-PA), fabiopessoa@hotmail.com
O Estado do Pará tornou-se conhecido pela violência no campo. Centenas de casos foram noticiados nos últimos 40 anos pela imprensa e outros meios de comunicação. Dos anos de 1970 até os dias atuais, o resultado dessas disputas tem dado ao território paraense este titulo indesejável de campeão de conflitos agrários. Por isso a importância da temática voltada para esta discussão neste Encontro de História Oral. Procurar compreender por que este processo começou, e muito mais, por que em pleno século XXI, ainda se vive esta realidade. Quais os personagens envolvidos neste cenário, quais suas funções, e acima de tudo, suas vozes, são algumas das questões que se pretende debater. Trazer nas fontes orais de pesquisadores, as memórias do sofrimento, do descaso, da luta, da resistência, do sofrimento, das angustias, das alegrias, das conquistas, será vital para uma maior compreensão da temática proposta. A história do tempo presente, daqueles que no dia-a-dia procuram fazer ‘sua própria história’, contrariando a história oficial, história regida por leis e por senhores que a regem.
2) TRABALHO ESCRAVO NA AMAZÔNIA LEGAL NO TEMPO PRESENTE
Coordenadores:
Ms. Fagno da Silva Soares (IFMA), fagno@ifma.edu.br
Ms. José Carlos Aragão (UFMA)
Este simpósio temático propõe reunir pesquisadores de diversas áreas do conhecimento que discutam temáticas relacionadas à ao trabalho escravo contemporâneo na Amazônia sob a tríplice articulação cotejante entre trabalho, escravidão e Amazônia, considerando as matrizes teóricas e metodológicas da história oral filigranadas e perpassadas pelos conceitos de história, memória e identidade. Destarte, objetiva-se socializar pesquisas já concluídas ou/em andamento que discutam a escravidão por dívida na Amazônia brasileira.
3) IDENTIDADES, CULTURAS E DINÂMICAS SOCIAIS NA AMAZÔNIA
Coordenadores:
Dr. Dernival Venâncio Ramos Júnior (UFT), dernivaljunior@gmail.com
Profa. Dra. Idelma Santiago da Silva (UFPA-Marabá), idelmasantiago@gmail.com
O presente simpósio temático acolherá e discutirá trabalhos de investigação com história oral relativos às culturas, identidades e dinâmicas sociais na Amazônia. Neste sentido, privilegiará trabalhos que concebam a cultura em seu dinamismo e objeto das relações de forças desiguais na sociedade, com os seguintes enfoques temáticos: narrativas orais e construção de saberes, memórias e identidades; práticas sócio-culturais e representações discursivas que mobilizem sentidos das dinâmicas sociais; culturas de migração e fronteiras; reorganização do espaço e legitimação das práticas sociais pautadas na atualização das identidades e nas dinâmicas de reconhecimento.
4) PRÁTICAS DE ENSINO, HISTÓRIAS DO ENSINO
Coordenadoras:
Dra. Franciane Gama Lacerda (UFPA), fgl@amazon.com.br
Ms. Stela Pojuci Ferreira de Morais (UNAMA)
Interessa a este grupo de trabalho pesquisas que versem sobre variadas práticas de ensino, ou que investiguem a história do ensino e dos sujeitos sociais envolvidos com esta experiência a partir da metodologia da história oral. Assim, o grupo receberá propostas de comunicação relativas a pesquisas que tenham como foco de análise a história da educação abordando questões como formação de professores, os significados atribuídos à docência no passado e no presente, as lutas políticas de professores e alunos em momentos diversos, as memórias de experiências educacionais principalmente na escola. Além disso, interessa também experiências educacionais nas mais variadas áreas do conhecimento escolar como Literatura, História, Geografia, Ciências Sociais, Filosofia, que tiveram como aporte metodológico para o processo ensino-aprendizagem na sala de aula a história oral, a partir de histórias de vida e entrevistas realizadas por professores e alunos do ensino Fundamental e Médio. Assim, por meio das abordagens enfatizadas nestas pesquisas, o Seminário Temático poderá ser também um espaço de reflexão acerca dos limites e das possibilidades das fontes orais.
5) ARTE, MEMÓRIA E ORALIDADE
Coordenadores:
Dr. Celson Gomes (UFPA), celsonhsgomes@yahoo.com.br
Dra. Jusamara Souza (UFRGS)
Ms. Telma Saraiva (Universidad de Málaga-Espanha), saraiva5@hotmail.com
Este Grupo de Trabalho tem como proposta a discussão e reflexão sobre Arte e Oralidade compreendendo-se que o conhecimento artístico é prenhe de significados em seus processos de produção, circulação e recepção bem como em seu aspectos de formação e atuação, podendo ser valorizados e resignificados pela memória. Para as discussões. No GT poderão ser apresentados trabalhos e pesquisas nas áreas de teatro, dança, música e artes visuais cujas investigações estejam pautadas nas fontes orais e em aspectos da produção, transmissão/recepção e da atuação, colocando-se em evidência a dimensão formativa e sociocultural da atividade artística.
6) HISTÓRIA, NATUREZA, CULTURA E ORALIDADE
Coordenadores: Dr. Eurípedes Funes (UFCE), eufunes@terra.com.br
Dra. Temis Gomes Parente (UFT), temis.parente@uol.com.br
E Dr. Marcos Montysuma (UFSC), mmontysuma@gmail.com
O Simpósio Temático “História, Natureza, Cultura e Oralidade” busca discutir as relações entre o homem e seu ambiente, na perspectiva da história ambiental, um novo campo que vem se firmando na produção historiográfica brasileira nos últimos tempos. Trata-se de refletir a relação entre natureza e cultura, em suas múltiplas possibilidades. Tomar a paisagem como fonte e entender que a paisagem construída expressa cultura. Neste sentido as temáticas e objetos de investigação são de possibilidades amplas, passando pelo processo de ocupação e exploração e transformação do meio ambiente e os impactos ambientais, os movimentos sociais e as lutas pelo direito aos bens da natureza em seus mais diferentes biomas. Debates sobre o desenvolvimento sustentável, o agronegócio, espaços de trabalho, ambiente fabril, moradia, memórias, entre tantos outros. As fontes para os estudos no campo da história ambiental são as mais diversas. Aqui nos interessa comunicações que trazem como fontes fundamentais narrativas, depoimentos, de sujeitos que vivenciaram experiências onde natureza e cultura se entrecruzam
7) CIDADE, MEMÓRIA E IDENTIDADE
Coordenadores:
Dr. José Maria da Silva (UNIFAP), jmsilva@unifap.br
Dra. Luciana Carvalho (UFOPA).
Este Simpósio Temático tem por objetivo reunir trabalhos de pesquisa que, com base na história oral, proporcionem abordagens sobre as diferentes formas de apreender, narrar e construir a cidade, assim como suas memórias e representações que proporcionam mecanismos de identidade social. A cidade, portanto, deve ser visto como um locus de dinâmicas sociais e históricas. A cidade, desde a polis grega, é o lugar onde o indivíduo se desenvolve, pois é o espaço de exercício da cidadania. Neste sentido, a cidade é o lugar das transformações sociais, do desenvolvimento da sociedade, de sua historicidade e, portanto, de formulação de sua identidade em constante movimento. Espaço miultifacetado, perpassado por diferentes formas de vida, a cidade é construída em imaginários e elementos simbólicos, através de diversas fontes narrativas – mitológicas, históricas, literárias, imagéticas, artísticas, sociológicas, entre outras. Essas narrativas proporcionam, por sua vez, a articulação de memórias sociais que nos permitem acessar as mais variadas temporalidades da vida na cidade. O Simpósio pretende ainda articular as narrativas sobre a cidade, com a formulação de memórias que permitem a discussão sobre história e sociedade, imaginário e representações culturais e a cidade e seus mecanismos simbólicos como patrimônio cultural. Além disso, pretende-se indagar sobre a centralidade desses elementos na construção de identidades, articulando a memória de longa duração com valores cambiantes da vida contemporânea.
8) HISTÓRIA ORAL E OS POPULARES NAS CIDADES BRASILEIRAS
Coordenadores:
Dr. Antonio Clarindo Barbosa de Souza (UFCG-PB)
Dra. Patrícia R. Silva (UFAM)
Ms. Venize Rodrigues (UEPA), veclanu@yahoo.com.br
O presente Seminário Temático pretende reunir contribuições de pesquisas que versem sobre a presença dos populares nas cidades brasileiras principalmente no que tange aos mais diferentes aspectos de suas vivências nestas cidades (trabalho, moradia, lazeres, educação, formas de higienização, lutas sociais, defesa dos direitos civis e humanos, etc). A ideia é reunir um grupo de pesquisadores que utiliza como método de pesquisa e abordagem metodológica a História Oral, fazendo as devidas conexões entre memórias e oralidades. No grupo, a História Oral será identificada como uma metodologia de trabalho, conforme apresenta Ferreira & Amado (1988) em consonância com outros autores, e que se constitui enquanto fonte fecunda para o historiador, pelo caráter subjetivo que possui, trazendo consigo informações que outras fontes não trazem e se configurando numa fonte privilegiada para pensar como se estruturam as cidades reais e as cidades representadas pelas/através das memórias e expressas através dos relatos orais de memória. Desta forma esperamos estar contribuindo com a discussão sobre a metodologia, do uso das fontes e da ampliação das pesquisas sobre o tempo presente.
9) HISTÓRIA E MEMÓRIA: EDUCAÇÃO, POLÍTICA E MOVIMENTOS SOCIAIS URBANOS NA AMAZÔNIA CONTEMPORÂNEA
Coordenadora:
Dra. Edilza Fontes (UFPA), edilzafontes@yahoo.com.br
Este Simpósio Temático pretende debater a relação entre História e Memória, como uma relação desenvolvida no campo da educação, da política e dos movimentos Sociais Urbanos na Amazônia Contemporânea. Pretendemos ampliar o debate sobre a pesquisa do tempo presente, envolvendo os usos da História Oral, os usos do passado, principalmente em relação aos movimentos sociais, a democratização da sociedade, as eleições, os partidos políticos, e as lutas sociais desenvolvidas em torno da ampliação do direito a moradia, educação, saúde e cultura.
10) CULTURA POPULAR E ORALIDADES URBANAS.
Coordenadores:
Ms. José do E. Santos Junhor (UFPA-Cametá), jespiritodj@yahoo.com.br
Ms. Tony Leão da Costa (Seduc-PA)
A proposta deste Seminário Temático “Cultura Popular e Oralidades Urbanas”, visa contemplar análises que tenham em seu foco as diversas formas de oralidades urbanas presentes nas grandes, pequenas e médias cidades da região amazônica. Seu eixo de atenção está na definição da cidade enquanto espaço privilegiado de múltiplas experiências individuais e coletivas, compartilhadas nas sociabilidades festivas, religiosas, políticas e em várias outras expressões humanas. Nesse sentido o GT, a fim de estimular o debate acerca das experiências cotidianas de sociabilidade presentes nas cidades da Amazônia, contemplará trabalhos de pesquisas com fontes orais, memórias individuais e coletivas, que desenvolvem temáticas afinadas com a cultura popular, música, religiosidade e cultura política que trabalhem com os recursos.
11) A HISTÓRIA ORAL COMO ESPAÇO DE REINVENÇÕES DE TRADIÇÕES E REAFIRMAÇÕES DE IDENTIDADE E TERRITORIALIDADES.
Coordenadores:
Maria Cristiane Pereira de Souza (Rondônia)
Xênia de Castro Barbosa (IFRO)
Márcia Nunes Maciel (USP)
Este grupo de trabalho pretende ser um espaço de discussão e debate sobre pesquisas no campo da oralidade que tratam da relação entre Memória, Identidade e Territorialidades como processos de reinvenções de sujeitos e coletividades. Nosso objetivo é de trocar experiências e reunir pesquisas em Historia Oral e demais perspectivas de estudos com oralidades para percebemos as possibilidades de interpretações dos processos de constituição subjetiva das populações amazônicas dentro dos contextos de suas organizações políticas, culturais, sociais e econômicas. Buscamos conhecer as múltiplas práticas procedimentais de acesso as comunidades (ribeirinhas, quilombolas, indígenas e citadinos) e estabelecer um diálogo com os pesquisadores oralistas e da oralidade que atuam na Amazônia, tendo em vista a necessidade de construirmos uma rede de intercâmbios de experiências de forma a propiciar um debate sobre as categorias de análises utilizadas para a compreensão do espaço amazônico, levando em conta a sua dinâmica própria de mudanças e as intervenções externas como os projetos desenvolvimentistas e nesse contexto de disputas de espaços perceber os processos de construções de novas territorialidades e afirmação de histórias e identidades.
12) GÊNERO: REPRESENTAÇÕES E MEMÓRIA SOCIAL
Coordenadoras:
Dra. Maria Luzia Miranda Álvares – GEPEM/FCS/UFPA
Dra. Denise Machado Cardoso - GEPEM/FCS/UFPA
Os estudos que envolvem a perspectiva da história oral apresentam uma metodologia que enfatiza a memória. E, essas memórias expressas em narrativas trazem tanto o que é lembrado pelas pessoas, como os seus esquecimentos, pois ambos são seus elementos constitutivos, seja a memória individual ou coletiva. A história oral permite a investigação e debate de aspectos sociais de um modo diferenciado da maneira como a historiografia oficial trata o passado em diversas temáticas, como é o caso, por exemplo, dos estudos que possibilitam o reconhecimento da importância das mulheres nos espaços públicos e, portanto, espaços decisórios e dinâmicas sociopolíticas políticas.
Os depoimentos orais possuem uma pluralidade de aspectos subjetivos na medida em que a memória envolve uma carga emocional forte e que interfere na narrativa e na interpretação, possibilitando a ampliação de estudos acerca de mulheres de diferentes culturas e de movimentos sociais de diversos matizes, suas práticas e saberes. Dessa forma, recuperar as lembranças, partindo de noções comuns de uma pessoa sobre o mundo vivido e compartido com o outro tendo como fio condutor o modo de vida e as práticas culturais locais, tende a referenciar modelos de comportamento das gerações contemporâneas e das próximas. Para Halbwachs (1990), essa memória reconstrói o passado através de nossos afetos e de expectativas diante do vir-a-ser, operando como resistência em torno das relações de poder, ao tempo em que serve de mantenedora dos valores sociais. A memória não pode ser pensada somente como um registro histórico dos fatos, mas integração entre elementos significantes da vida social em permanente processo de reconstrução.Esta proposta espera contribuir no estudo da linguagem das relações de gênero na sociedade amazônica, fundamental na emergência de uma história das mulheres e de seus parceiros conviventes numa região em que as representações sociais, em outras linguagens oficiais, têm selado uma visão mitológica de suas ousadias e de seu cotidiano. Identificar processos de vivências, de práticas e de políticas de resistência ao status quo feminino inscreve-se na perspectiva de significação desses estudos com vistas, também, a articular a perspectiva de gênero, com a geração, a classe e a raça/etnia.
13) QUILOMBOS, MEMÓRIAS E ETNICIDADE: PRÁTICAS CULTURAIS E RESISTÊNCIAS NEGRAS NA AMAZÔNIA

Coordenadoras:
Dra. Benedita Celeste de Moraes Pinto (Campus Universitário do Tocantins - UFPA/Cametá), celestepinto@ufpa.br e celeste.pinto@bol.com.br
Dra. Andrea Silva Domingues (Universidade Vale do Sapucaí – UNIVAS/Pouso Alegre MG). andrea.domingues@gmail.com.br
Como qualquer experiência humana, a memória é também um campo minado pelas lutas sociais: um campo de luta política, de verdades que se batem, no qual esforços de ocultações e de clarificação estão presentes na disputa entre sujeitos históricos diversos, produtores de diferentes versões, interpretações, valores e práticas culturais. A memória histórica constitui uma das formas mais poderosas e sutis de dominação e legitimação de poder. Reconhecemos que tem sido sempre o poder estabelecido que definiu, ao longo do tempo histórico, quais memórias e quais histórias deveriam ser consideradas para que fosse possível estabelecer uma certa memória capaz de cunhar uma História “certa”. Desse modo, busca-se retornar um sentido para tematizar o social que nos permita compreendê-lo como constituído e instituinte de práticas sociais, culturais e religiosas de diversos e múltiplos agentes da cultura afro-brasileira, com foco especial na Amazônia. Um social, portanto, dinâmico, no qual homens e mulheres possam ser reconhecidos como sujeitos sociais na história que queremos produzir. Práticas culturais, religiosidades, relações de gênero e maneiras de fazer-se afro-brasileiras e afro-brasileiros abrange também a importância dos laços de sociabilidades, a cultura sensível e material de homens e mulheres descendentes de negros escravos e quilimbolas. Os laços de sociabilidade permitem uma análise das relações de poder existentes na sociedade, o estudo e percurso histórico das tradições familiares e o quanto estas vão se esmaecendo na história moderna. Estas práticas culturais e maneiras de fazer-se permitem, ainda, o estudo da memória entrecruzada de diferentes linguagens e signos da oralidade, além da análise das relações de espaço – cidade e campo – e tempo, dentro das trajetórias de vida individual e coletiva.
14) MEMÓRIA E NARRATIVA ORAL
Coordenador:
Dr. José Guilherme Fernandes (UFPA), mojuim@uol.com.br
A sessão visa indicar as relações entre memória e o gênero textual narrativo, particularmente o oral, considerando-se a narrativa como texto organizador da cultura, enquanto mito, particularmente no meio das populações tradicionais, além de representação identitária da nação, mediante elementos simbólicos do imaginário coletivo. Transversalmente a essa discussão, os conceitos e atributos da memória serão debatidos, sem se perder de vista que, mesmo sendo coletiva, a memória ocorre mediante a lembrança do indivíduo, se constituindo na intersubjetividade, na performance do narrador e nas práticas discursivas do saber local.
“E agora? Vou passar o meu texto oral para a escrita? Não. É que a partir do momento em que eu o transferir para o espaço da folha branca, ele quase que morre. Não tem árvores. Não tem ritual. Não tem as crianças sentadas segundo o quadro comunitário estabelecido. Não tem som. Não tem dança. Não tem braços. Não tem olhos. Não tem bocas. O texto são bocas negras na escrita, quase redundam num mutismo sobre a folha branca. […] No texto oral já disse não toco e não o deixo minar pela escrita, arma que eu conquistei ao outro. Não posso matar o meu texto com a arma do outro. Vou é minar a arma do outro com todos os elementos possíveis do meu texto. Invento outro texto. Interfiro, desescrevo para que conquiste a partir do instrumento escrita um texto escrito meu da minha identidade” (Manuel Rui, ficcionista e poeta angolano).

15) HISTÓRIA ORAL E ESTUDOS CULTURAIS: Memória, Poder e Saberes Locais

Coordenadores:

Dr. Agenor Sarraf Pacheco (GECA/CNPq/UFPA)

Dr. Mário Médice Costa Barbosa (GECA/CNPq/IFPA)



As relações entre o campo teórico dos Estudos Culturais, seja ele de tradição britânica, norte-americana ou latino-americana, com a História Oral tem aberto novas perspectivas de abordagens à escrita do conhecimento em humanidades. Inspirando a construção de análises em perspectivas interdisciplinares que alcançam a História, a Antropologia, a Sociologia, a Comunicação, as Artes, a Museologia, a Literatura, a Educação, a Geografia, por exemplo, esse diálogo entre História Oral e Estudos Culturais assume lugar estratégico para se discutir temáticas atinentes ao mundo amazônico. Na esteira desse entendimento, a proposta do GT é dialogar com pesquisas que tomando a memória oral, as relações de poder, os saberes locais como um dos eixos temáticos da investigação, tragam à tona reflexões sobre exp eriências sociais de povos e culturas constituintes de realidades amazônicas em diferentes tempos e territórios.