terça-feira, 23 de maio de 2017

O que é o Grupo de Estudos Culturais na Amazônia- GECA?



O GECA é um grupo de estudo, pesquisa e produção de saberes, fundado em 07 de março de 2011, sob a coordenação dos professores doutores Agenor Sarraf Pacheco e Jerônimo da Silva e Silva, registrado no Conselho Nacional Científico e Tecnológico (CNPq) e sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA). Fundamentado epistemologicamente nos Estudos Culturais Britânicos, Norte e Latino-Americanos, nos Estudos Subalternos, Pós-Coloniais e, mais recentemente, Decoloniais, o grupo vem, ao longo desses anos, explorando temáticas interdisciplinares que articulam as áreas de Humanidades (História, Antropologia e Educação), Letras, Artes e Ciências Sociais Aplicadas (Comunicação e Museologia). Esse investimento tem permitido o desenvolvimento de novas investigações, olhares e perspectivas analíticas interculturais da realidade sociocultural, local e global, amazônica e brasileira. A base epistemológica em exercício dialoga diretamente com os campos teórico-metodológico da História Oral, Cartografia, Etnografia, Etnobiografia, Micro-História, Crítica de Arte, Crítica Documental, aproximando-se, em alguns momentos, da Análise do Discurso e da Análise do Conteúdo. Agenciado por esse suporte epistêmico, teórico-metodológico, poético e político, o GECA tem procurado debater, problematizar, refletir, socializar e publicizar estudos da realidade brasileira, desde o mundo amazônico, visibilizando variadas fronteiras, trocas, tensões e mesclas construídas por povos, grupos e agentes socioculturais nativos, coloniais, diaspóricos, migrantes e nômades em seus pensares, agires, saberes e fazeres que conformam modos de viver, lutar e defender cosmovisões como formas de praticar direitos humanos, intelectuais e espirituais na região em distintos tempos geohistóricos.

O enorme interesse que os Estudos Culturais como campo indisciplinado do saber ganharam, a partir de sua disseminação na América Latina ao longo da década de 1990, permitiu a formação de pesquisadores interessados em politizar investigações e discussões de temáticas fundamentais aos cenários amazônicos. Nas experiências compartilhadas desde março de 2011, o GECA congrega estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, bem como professores pesquisadores que realizam ou têm interesses em desenvolver pesquisas em epistemes e campos teórico-metodológicos que lhes atravessam. Em seus variados encontros semanais e quinzenais, realizados com planejamento e regularidade, o grupo tem procurado debater a produção de importantes lugares e intelectuais. Começou pela Inglaterra, adentrou a Índia, Palestina, Caribe, América do Norte, América Latina e Brasil para refletir conceituações teóricas à luz de cosmologias e linguagens de populações amazônicas, centrando-se nas formas de negociações, ressignificações, perdas, lutas, resistências e reinvenções em tempos de encontros e confrontos culturais.

Nestes anos de existência, o GECA debruçou-se em obras e textos de/sobre Richard Hoggart, Raymond Williams, Edward Palmer Thompson, Stuart Hall, Raphael Samuel, Frantz Fanon, Aimé Cesaire Albert Memmi, Edouard Glissant, Edward Said, Homi Bhabha, Ranajit Guha, Paul Gilroy, Néstor García Canclini, Beatriz Sarlo, Jesús Martin-Barbero, Walter Mignolo e membros do Grupo Modernidade/Colonialidade, George Yudice, Gayatri Spivak, Boaventura de Souza Santos, Alessandro Portelli, Alistair Thomson, para citar os principais. Sediado até junho de 2013, no Instituto de Ciências da Arte e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes) e em 2011 ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA), no segundo semestre de 2013, o grupo passou a realizar seus encontros quinzenais no auditório do PPGA, transformando seus encontros na disciplina Leituras em Antropologia para oportunizar alunos de variados programas de pós-graduação interessados em leituras, análises e debates das literaturas selecionadas por eixos temáticos.

O GECA conscientes das interconexões entre oralidades, memórias e letramentos, ruralidades e urbanidades, tradições e modernidades, localidades e globalidades, têm procurado refletir e compreender como grupos e pessoas oriundas de diferentes territórios culturais, vivenciam, interpretam e criam significações para conviver com contínuos processos de mudanças impulsionados pelos mais variados suportes tecnológicos que se instalaram e conectaram a região amazônica ao restante do planeta.

Nas intersecções produzidas, os integrantes desses grupos de pesquisa, reconhecendo-se como filhos nativos ou adotivos do mundo amazônico, vêm despertando consciência para os circuitos das tradições, comunicações, artes, saberes, fazeres, visibilizados em patrimônios culturais que congregam e expressam influências amazônicas, europeias, africanas, asiáticas, norte-americanas, intensificando-se com a disseminação das variadas formas de letramento, culturas e economias midiáticas em tempos contemporâneos.
Entendemos que se processos de perdas, dominações e dizimações não podem ser esquecidos no contar das histórias regionais, não se pode olvidar que, mesmo em escalas desiguais, traduções culturais por meios de táticas, recepções ativas, artimanhas e/ou ressignificações deixam ver astuciosas maneiras de resistir e lutar no palco da cultura pelas gentes amazônidas.

A existência de um grupo de estudo, pesquisa e produção de novos saberes na Amazônia é estrategicamente importante por ser a região território por excelência de históricas práticas de marginalização de povos e culturas, em que outros saberes, comunicabilidades, pensares e fazeres são pouco conhecidos e, por isso, desvalorizados pela tradição acadêmica brasileira.
Finalmente, preocupado com a formação intelectual de amazônidas brasileiros e brasileiros que se fazem amazônidas e a produção de saberes sobre diferentes objetos/sujeitos de estudos que se apreendem a partir do/no norte do Brasil, o GECA vêm agregando interessados em investigar diferentes realidades e temáticas com base no conceito de cultura na perspectiva desenvolvida pelo CCCS como “uma forma completa de vida, material, intelectual, espiritual”¹, comunicacional, “incluindo o comportamento simbólico”² e os sentidos e significados que as pessoas de florestas e cidades dão às suas experiências sociais³.




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¹ WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 16.
² NELSON, Cary et al. Estudos Culturais: uma introdução. In: SILVA, Tomaz Tadeu (org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. 6a ed. São Paulo: Vozes, 1995, p. 14.
³ PACHECO, Agenor Sarraf. À Margem dos “Marajós”: cotidiano, memórias e imagens da “Cidade-Floresta” Melgaço-Pa. Belém: Paka-Tatu, 2006.



Texto de Agenor Sarraf Pacheco

terça-feira, 9 de maio de 2017

Encontro com Foucault


O curso de História Oral e Análise do Discurso chegou em sua segunda etapa. Iniciamos leituras e debates sobre o pensar e produzir conhecimento pelos caminhos arqueológicos e genealógicos de Michel Foucault, intelectual que colocou a forma hegemônica de construção do saber acadêmico nos circuitos da modernidade europeia em problematização, exercitando em vasta e densa pesquisa novos modos de produção do saber. Nesse projeto de escrita, o intelectual francês debruçou-se, a partir dos anos 60 do século XX, em temas considerados até, então, marginais para as pesquisas em Ciências Humanas, construindo um poderoso legado analítico em perspectiva interdisciplinar. Na segunda-feira, 08 de maio, sob a regência da Profa. Dra. Ivânia Neves, o grupo começou a mergulhar nas obras e comentadores de Michel Foucault.


Profa. Dra. Ivânia Neves






terça-feira, 18 de abril de 2017

GECA entre a História Oral e Análise do Discurso.

O Geca reiniciou suas atividades em 20 de março de 2017 com debates sobre História Oral e Análise do Discurso. Nos encontros quinzenais serão lidos e debatidos intelectuais do campo da história oral, análise do discurso e poder.  Alessandro Portelli, Michel Foucault, Stuart Hall e Alistair Thomson são alguns dos autores debatidos neste primeiro semestre de 2017.



DOWNLOAD: Plano de curso + textos aqui





Agenor Sarraf com integrantes do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia 2017








segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Reencontros com "O Outro: memórias, poder e identidades"

Nesse segundo semestre de 2016, voltamos para mais um encontro do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia. A discussão foi feita com base na primeira unidade do planejamento chamada O Outro: Memórias, Poder e Identidades.

O debate foi iniciado com o texto Contar histórias: um diálogo com o outro de Cléria Costa. Posteriormente foi debatido o texto Historia oral e narrativa: tempo, memória e identidades de Lucilia Delgado. E concluímos com o texto recentemente publicado  de Stuart Hall, O Ocidente e o Resto: Discurso e Poder. Esses três textos abriram caminhos reflexivos sobre as áreas da História, Antropologia, Educação e outras. Dialogamos sobre  memória, identidade e poder na encruzilhada da criação do "Ocidente" e do "Não Ocidente".

Passagens dos textos:



Compreender o contar histórias como uma narrativa tangenciada por diferentes temporalidades, ou seja pela memória, bem como uma forma de reconhecimento do outro. Cléria Costa, 2014.

Na escola os colegas me chamam de cabelo de bucha, de cabelo de Bombril, caçoam muito de mim. Por isso só vou à escola de cabelo preso. Queria poder soltar meu cabelo. Quero alisar ele para ficar bonita... (Maria, 10 anos, interlocutora de Cléria Costa.
O passado apresenta-se como vidro estilhaçado de um vitral antes composto por inúmeras cores e partes. (...) Compete à História evitar que o ser humano perca referências fundamentais à construção das identidades em curso, esteios fundamentais do auto-reconhecimento da mulher e do homem como sujeitos de sua história. Lucilia Delgado, 2003.

Uma vez elaborada a ideia de OCIDENTE, ela por si só, tornou-se produtiva. Provocou efeitos reais: possibilitou que pessoas falassem sobre certas coisas de certas maneiras. Produziu conhecimento. Tornou-se, duplamente o fator organizador em um sistema de relações globais de poder e o conceito organizador ou termos em uma forma inteira de pensar e falar.  Stuart Hall, 2016. 

Os excertos acima são memórias da calorosa discussão realizada hoje na retomada das atividades do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA/CNPq/UFPA). Uma tarde de muitas aprendizagens para as pesquisas em curso e para a vida. Dia 14/11, mergulharemos no tema APRENDIZAGENS EM ANTROPOLOGIA

Nossos planos e textos de estudos estão disponíveis no blog.


Nesse semestre, novos integrantes entraram para o GECA. Tod@s são bem-vind@s!

Agenor Sarraf






Integrantes GECA-2016




segunda-feira, 21 de março de 2016

1º Encontro de 2016: Memória e Tempo em Deleuze

Começamos mais um ano de reencontros gequianos, neste mês de março, o GECA retornou suas quinzenas de estudos teóricos-metodológicos sobre o campo de análise Memória e Sociedade. Hoje, no encontro de 21 de março de 2016, iniciamos os estudos com o texto Memória e tempo em Deleuze: multiplicidade e produção  de Uhng Hur Domenico, professor Adjunto da graduação e pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Goiais. Texto disponível para download no final do post.

(Claudete Silva, Sônia Amaral, Rosa Marin, Jerônimo Silva, Francinete Saraiva, Diana Sá Alberto, Josiane Melo, Rodrigo Wanzeler, Hermes Veras)  




Na dinâmica produtiva e múltipla de estudos, a professora Rosa Marin (usando camisa amarela) selecionou e reescreveu no quadro uma frase importante para resumir a discussão sobre Memória e Tempo em Deleuze:






Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA)





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¹DOMENICO, Uhng hur. Memória e tempo em Deleuze: multiplicidade e produção. Athenea Digital- 13(2):179-190. Ensayos, 2013. Download 

domingo, 29 de novembro de 2015

CIDADE VELHA, Ventre e Margens de Belém - Por Agenor Sarraf Pacheco

O bairro da Cidade Velha, expressão viva de uma Belém Quatrocentona, é um lugar polissêmico e contraditório. Ventre de nascimento do núcleo urbano também se faz margens espacial e social. Em tentativa poética e política de compor uma leitura da cidade, focalizo esse ambiente que ganhou convencional destaque por ser de "grande importância no processo de conquista e colonização portuguesa no Norte do Brasil" (G1 PA). Ali emergem expressões da vida na Amazônia que parecem traduzir uma perene cidade-floresta.

Disponível em http://www.acaifrooty.com.br/blog/feira-do-acai-e-referencia-no-mercado-ver-o-peso/. Acesso em 05/11/2015.
 Território de entrada e saída de saberes, tradições e modernidades, o bairro ao constituir-se em zona de intercâmbio com outros ambientes rurais da região, assume uma identidade anfíbia. Muitos moradores de Belém usam diariamente embarcações, ancoradas nos portos da Cidade Velha, para ir ao trabalho, realizar viagens ou passeios fora do núcleo urbano. Nesse trajeto, tecem relações cotidianas em paisagens que congregam asfaltos, águas e florestas. Mas pelas margens de Belém, o açaí rouba a cena. Ele é ícone da identidade amazônica, cuja manifestação simbólica maior é a Feira do Açaí. Por meio de variados tipos e modelos de bandeiras vermelhas, situadas em pontos estratégicos da metrópole paraense, alinhava-se um desenho complexo de uma cidade pintada e integrada pelo hábito indígena de se alimentar.

O tombamento do Centro Histórico foi homologado pelo Ministério da Cultura em 10 de maio de 2012. Para esse processo ocorrer, assinala Christine Machado, “levou-se em conta o conjunto formado pela trama da cidade consolidada entre os séculos 17 e 18 – com igrejas e suas torres, largos e praças, coretos, mercados e feiras - em interação com a Baía de Guajará”. Já o dossiê do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) aponta que a área de tombamento aprovada pelo Conselho Consultivo incluiu bens já tombados individualmente pelo IPHAN nas décadas de 1940 a 1970. 
Disponível em http://amazonia.org.br/2012/05/tombamento-do-centro-hist%C3%B3rico-de-bel%C3%A9m-%C3%A9-homologado-pelo-minist%C3%A9rio-da-cultura/. Acesso em 05/11/2015.

Belém erigiu-se com a construção de uma improvisada fortificação militar e uma pequena igreja de taipa, coberta de palha dedicada à Nossa Senhora das Graças, em 1616, marcos simbólicos da dominação portuguesa, num tempo de morte da gerência do território pelos tupinambá e o nascimento do núcleo colonial (1616-1626), mais tarde o Estado do Maranhão e Grão-Pará (1626-1652; 1654-1759) sob a custodia Lusitana. Marcada pela cruz, espada e arco e flecha, o Centro Histórico de Belém guarda diferentes memórias, algumas estão tatuadas no patrimônio arquitetônico, outras se alojam nos subterrâneos de lembranças que as edificações silenciam, mas não conseguem apagá-las totalmente. Muitas pessoas quando visitam esse histórico ambiente urbano, ficam encantados com o poder imponente das construções, mas parecem esquecer as contradições ali existentes.
É importante relembrar que foram populações indígenas, inicialmente, as que erigiram o primeiro monumento colonial, por isso evocar e celebrar uma memória da conquista portuguesa na Amazônia permite visualizar que um processo de tradução cultural orientou o saber colonizador. Na ótica de representações ibéricas e cosmologias ameríndias o patrimônio da Cidade Velha se apresenta, então, erigido sobre memórias oficiais e populares que se cruzam, vivem processos de trocas, experimentam a dominação, a perda e a expropriação, assim como resistem, criam táticas e astúcias para manterem-se vivas. O patrimônio do espaço urbano é plural, assim como plural são os lugares onde ele se manifesta e se ressignifica.
Por esse enredo, o breve passeio pelo Centro Histórico de Belém permitiu rascunhar aspectos de uma cartografia de memórias que explora algumas possibilidades de compreender a cidade por dentro e por fora e na contramão das antigas dualidades: tradição versus modernidade; ruralidade versus urbanidade. Ana Fani Carlos (1995) ao perguntar se “podemos dizer que existem várias cidade dentro da cidade?, eu diria que vejo não apenas vários bairros dentro da cidade, mas várias cidades dentro de um único bairro. Ali se interseccionam a cidade colonial e a cidade da “bela época” tramando-se com a cidade comercial, festiva e de luta pelos direitos de habitação. Concomitante a essas cidades, despontam a cidade da prostituição, da violência, do tráfico de drogas produzidas por dentro e por suas fronteiras.


Disponível em http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1357367. Acesso em 05/11/2015.

 Enfim, nas janelas entreabertas para continuar a olhar e pensar Belém a partir da primeira área onde embrionariamente ela se formou, entre continuidades e mudanças as rugosidades espaciais tomam feituras próprias de seu tempo e dos interesses de seus agentes sociais, a exemplo da Praça Dom Pedro II, cujo espaço no período colonial era o grande Lago do Piri, e, atualmente, é onde está instalado o centro administrativo belenense. Um território de ricos ecossistemas foi sacrificado para o nascimento do Centro Histórico e a emergência de uma metrópole na boca de entrada do grande Amazonas. Um passeio por esse bairro transforma-se em prática politicamente comprometida com lembranças das vozes que não podem mais falar, entretanto, ruídos e reminiscências de suas presenças ausentes, ainda lutam para não serem esquecidas da história.

Texto publicado em O LIBERAL, em 15/11/2015.


        

Sobre o Livro "Cartografia de Memórias: Pesquisas em Estudos Culturais"

O livro Cartografia de Memórias: Pesquisas em Estudos Culturais, organizada pelos professores doutores Agenor Sarraf Pacheco, Universidade Federal do Pará (UFPA), e Jerônimo da Silva e Silva, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), é resultado de diversas pesquisas de mestrado e doutorado realizadas nos últimos 05 anos por integrantes do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA/CNPq) da Universidade Federal do Pará. Fundamentados em orientação teórica dos Estudos Culturais Britânicos, Latinoamericanos, do Pensamento Pós-Colonial e Decolonial, Antropologia Moderna e Pós-Moderna em intersecção com outros referenciais, em Cartografia de Memórias, o grupo tentou constituir 15 capítulos que, com exceção do terceiro eixo, o qual acompanha trajetórias do pensamento sociológico e antropológico em suas interfaces com a modernidade, a pós-modernidade e o pós-colonialismo, versam pelas temáticas do(a): cidade, patrimônio e trabalho; golpe civil-militar; cultura surda; memórias e identidades paraenses e do teatro popular; saberes docentes, da pesca em cacuris, da tessitura com fibras de jupati e da confecção de bicitáxis, de varinhas da conquista, entre outras artes. A obra avança em poéticas negras; festa de São Benedito; encantarias; tradições orais e letradas de matrizes afroamazônicas e afroindígenas.
Este é o primeiro livro, na área de humanidades na Amazônia Paraense, do qual se tem conhecimento, organizado com base no campo teórico interdisciplinar dos Estudos Culturais e Pós-Coloniais. Em interação com ele, o leitor poderá dialogar com os capítulos em postura cartográfica. Com isso, terá a liberdade de escolher, a partir de critérios pessoais, entrar ou sair por um dos 15 capítulos da obra, pois os autores não pretenderam condicionar os olhares externos a padrões acadêmicos tradicionais. Assim, por meio de uma cartografia alinhavada por memórias escritas, orais e visuais que desfiam experiências socioculturais em ampla zona de contato, os autores realizam diferentes interpretações de cidade e espaços rurais amazônicos em seus trajetos plurais e conectados em suas fronteiras amazônicas. A partir do entendimento de que as relações socioculturais devem melhor ser compreendidas sob o foco dialógico e intercultural, os autores da obra problematizam convenções, dissensos e ambiguidades presentes nas periferias do mundo globalizado como constituintes de um novo mapa interpretativo da experiência social contemporânea.
Nesse meandro, os autores, consciente das interconexões entre oralidades e letramentos, ruralidades e urbanidades, tradições e modernidades, localidades e globalidades, comunicações e culturas, procuraram refletir em seus escritos como grupos e pessoas oriundas de diferentes territórios culturais, vivenciam, interpretam e criam significações para conviver com contínuos processos de mudanças impulsionados pelos mais variados meios de comunicação que se instalaram e conectaram a região amazônica ao restante do planeta.
Nas intersecções e interculturalidades produzidas por mudanças geohistóricas e socioculturais na realidade paraense em diálogo com outras realidades nacionais e internacionais, os autores de Cartografia de Memórias, reconhecendo-se como filhos nativos ou adotivos do mundo amazônico, vêm despertando consciência para os circuitos das tradições, comunicações, saberes e fazeres visibilizados em patrimônios culturais que congregam e expressam influências indígenas, europeias, africanas, asiáticas, norte-americanas, intensificando-se com a disseminação das variadas formas de letramento, culturas e economias tecnológicas em tempos contemporâneos.
Por fim, é preciso assinalar que em concordata com patrocinadores, organizadores e autores, a venda dos livros será destinada à aquisição de brinquedos às crianças carentes do município de Melgaço.


Aquisição do livro? enviar e-mail para agenorsarraf@uol.com.br

sábado, 28 de novembro de 2015

Homenagem ao professor Agenor Sarraf Pacheco



Professor Agenor Sarraf
Por todo esforço, cumplicidade, amizade, companheirismo e saberes compartilhados, o professor Agenor Sarraf Pacheco foi homenageado no  II Colóquio Internacional Mídia e Discurso na Amazônia pelos integrantes do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA). Com discurso de Jaime Cuellar Velarde e performance simbólica  do "chapéu viajante", todos colocaram o chapéu tão característico da indumentária simbólica do professor Agenor e depois o presentearam com uma camisa. A homenagem foi feita em nome de todos os integrantes do Grupo de Estudos Culturais na Amazônia (GECA).

Presenteando-o com a camisa

Homenagem ao professor Agenor Sarraf, performance do "chapéu viajante"

Grupo de Estudos Culturais na Amazônia